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Valeu a pena mudar para Lisboa? Parte I.

Por Ju Acácio - 22 de maio de 2017

Miradouro Portas do Sol

Com os amigos longe, muita gente cogitando de sair do Brasil e claro, porque eu acho que estava devendo um post para vocês sobre a minha mudança, resolvi escrever como anda a minha vida na terrinha.

Toda escolha é uma renúncia e ao mesmo tempo que existem incontáveis pontos positivos, a saudade da família pesa muito. Estou muito feliz e sinto que encontrei o meu lugar no mundo, apesar de todas as dificuldades, que são muitas. Não é a primeira vez que tenho a experiência de morar fora do Brasil, mas agora é completamente diferente, não é um intercâmbio com data de volta, sabe?

Mas, vamos começar do começo, néam?

Antes de chegar…

Viemos (maridón e eu) para terras portuguesas não por conta do sentimento “cansei do Brasil” que ronda muita gente (normal, super entendo!). No nosso planejamento de vida, buscávamos uma experiência internacional principalmente por conta da área de atuação do meu marido, que é história da arte. Para o campo dele especificamente, a Europa parece ser o lugar ideal. A princípio, iríamos para Paris, mas aí entrou o quesito alto custo de vida + língua. Ele aplicou para doutorado em História da Arte em algumas cidades, e, quando saiu o resultado confirmando a aprovação Lisboa, não tivemos dúvidas. Estilo e custo de vida, clima, oportunidades, indicações de amigos. Este foi o combo inicial que nos levou a Lisboa. E claro, que aqui também há possibilidades para mim, como cursos bacanudos de maquiagem e grandes redes hoteleiras.

Vista Museu da Água

O começo…

Demos uma baita sorte, logo de cara. Conhecemos ainda em Juiz de Fora, um casal (oi Samara e Daniel!) que morava em Lisboa (na verdade Cacém, que é bem próximo) que eram parentes de amigos dos pais do Iriê (para quem não sabe o nome do maridón). Eles nos acolheram durante dois meses e foi ótimo para procurarmos apartamento sem muita pressa. Isso não tem preço! Ah e claro, amizade para o resto da vida. Chegamos em outubro e em dezembro já estávamos morando onde moramos hoje.

Como conseguimos o apartamento? Através de inúmeras pesquisas em sites (os melhores foram sapo.pt e olx.pt) e telefonemas. Conhecemos um casal de corretores gente boa pra caramba, que nos apresentou em seguida para a proprietária do apartamento, que é mais gente fina ainda. Todo mundo está reclamando da alta dos preços dos imóveis por aqui, e nós demos muita sorte porque conseguimos um T2 (isso significa 2 quartos) por 600 euros + despesas. Este valor segundo várias pessoas que conhecemos, está ótimo, quase defasado. Eu não me sinto muito a vontade falando valores, assim tão escancaradamente (rs), mas ajuda no entendimento dos custos daqui e isso é mais importante, né? 😉 

Mosteiro dos Jerónimos

Imigração…

Claro que nem tudo são flores, e aí vem a parte chata de morar fora do Brasil. Meu marido veio com o visto de estudante. Fomos várias vezes ao Consulado Português, em Belo Horizonte, para resolver documentação e o processo é bem chatinho. Naquele período, foi implantado uma nova exigência do governo português e os cartórios no Brasil pareciam não estar preparados para o tal dos “apostilamentos”. Explico o que é: um carimbo que legitima o documento para o governo português, digamos assim. Todo documento que você precisa apresentar aqui e principalmente no SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) precisa estar apostilado.

Logo que chegamos aqui (já com o visto de estudante emitido pelo Consulado Português em BH), era preciso apresentar ao SEF também. Devido à altíssima demanda atual, este órgão não dá conta de atender todo mundo com agilidade. Conseguimos um horário em março (5 meses depois da nossa chegada!) em Cascais, aproximadamente 35Km de distância de Lisboa. A atendente explicou que se fosse agendar em Lisboa, esperaríamos muito, muito mais.

Quando chegou março, deu tudo certo apesar do clima tenso da situação. Você fica numa sala esperando a “triagem” ouvindo várias outras histórias de vida, de vários outros países. Resumindo muito, é um ambiente angustiante e tenso. Você tem a sensação que o rumo da sua vida está na mão da pessoa que irá lhe atender, ou melhor, irá aceitar os seus documentos e dar o ok para a sua permanência no país. Na entrevista deu tudo certo, apesar do stress da triagem, do atendimento nada cortês dos funcionários, fazer baldeação pelo menos 4 vezes entre metro e comboio até Cascais. Os documentos que o maridón apresentou foram:

  • Documento de vínculo com a faculdade. A data do documento precisa ser recente, não pode ultrapassar 1 mês;
  • Nada consta da mensalidade da faculdade;
  • Declaração IR dos pais no Brasil;
  • Declaração de próprio punho dizendo que os pais eram os responsáveis financeiros;
  • Passaporte;
  • Seguro de Saúde;
  • Extrato bancário;
  • Valor da taxa que se paga na hora: aproximadamente 40 euros.

Se você está neste processo também, por favor, não tome por base este post. Cada caso é um caso e as informações estão completinhas no site do SEF, combinado?

Agora vamos ao meu visto. O meu processo chama-se “reagrupamento familiar” e isso significa que a minha autorização de residência está diretamente ligada à situação do meu marido. Antes que alguém ache que é machismo, essa situação seria a mesma para ele se fosse eu a doutoranda. Ele veio para estudar, tem a autorização de residência e eu apresentando os documentos corretos, provando que sou esposa e vim acompanhá-lo, consigo o visto também. Porém na teoria é fácil, na prática não. Minha entrevista foi horrível! Sem contar a parte chata do deslocamento, esperamos desta vez mais de 3 horas para sermos atendidos. E a pior parte com certeza foi obter a informação pela atendente que a nossa certidão também precisaria estar apostilada. Pois é, até aquele momento não sabíamos e a informação do site é bem digna de duplo sentido, vejam abaixo:

  • Comprovativos devidamente autenticados dos vínculos familiares invocados – (autenticado=apostilado, ok?)
  • É dispensada a apresentação de cópias autenticadas dos documentos de identificação dos familiares requerentes de AR desde que os originais dos mesmos sejam apresentados pelos seus titulares no Posto de Atendimento, sendo neste caso apenas exigida, a par dos originais, a apresentação local de cópias dos respectivos documentos.

Como estávamos com o documento original e também éramos os titulares, para nós, bastava apresentar do jeito que estava. Mas enfim, depois de tudo entendi que esse apostilamento é necessário até porque, nós somos brasileiros e o documento está em português, mas e se o processo for para gregos por exemplo? Como a atendente vai saber que aquele documento é válido sem o apostilamento?

A parte chata é que esse processo só é feito no Brasil e daí foi preciso envolver a nossa família (um beijo sogra!) para tirar a segunda via da certidão de casamento e apostilar para nós. Até onde eu sei, o apostilamento é feito somente em capitais brasileiras, ok? Enfim, isso tudo para dizer que até Julho, não posso trabalhar em empresas portuguesas. Eu até estou trabalhando, conto para vocês no próximo post.

Jardim da Torre de Belém

Ah, e no próximo além de falar sobre trabalho, conto como eu tirei o NIF (que é o nosso CPF do Brasil), estilo e custo de vida daqui de Lisboa.

Fiquem a vontade para mandarem dúvidas e comentários, okay?

Beijos e até quarta-feira!

7 Comments
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7 Comentários
  1. Natália
    22.05.2017

    Que lindo juju!!!
    Essa primeira tah sofrida hein…. rs. Aguardo a parte II, que deve ser da felicidade! haha
    Parabéns pela coragem e desbravamento a uma nova vida! beijoss, saudades!

  2. Leda Norma
    22.05.2017

    Muito interessante filha querida. Bjs SAUDADES MIL!!!!

  3. Amanda Braga
    22.05.2017

    Querida!! Adorooooo seus textos!! Muito sucesso pra vcs !!! Saudade!! Beijos

    • 24.05.2017

      Amandinha querida, saudades!!! Obrigada pelo comentário viu!
      Beijinhos!!

  4. Julia
    25.05.2017

    Me levaaaaaa!